Bairro Centro
A História do Bairro:
No bairro
Centro, está localizado à margem do Parnaíba, a área pessoalmente escolhida por
José Antonio Saraiva, presidente da Província, para sediar a Vila Nova do Poti,
destinada a ser futura capital do Piauí. Chamava-se Chapada do Corisco, antiga
fazenda de criação de gado, onde ocorriam muitas trovoadas e faíscas elétricas
na estação chuvosa.
A
transferência da sede da Vila do Poti (hoje Poti Velho) para a Vila Nova do
Poti deu-se em 20 de outubro de 1851. O primeiro edifício construído foi a Igreja
de Nossa Senhora do Amparo (padroeiras dos potienses).
O mestre
das obras, o português João Isidoro da Silva França, já havia trabalhado na
matriz de Valença. Foi constituída uma comissão visando obter donativos para
obra, além de tratar de sua execução. Várias pessoas espontaneamente
apresentaram seus donativos. Até o Imperador contribuiu, mais tarde, enviando
um conto de réis. Apesar de grandes esforços de Saraiva a ação de particulares
era ainda maior. Mesmo em abril de 1851, muitos proprietários começaram a
construção de casas residenciais, entre eles destacam-se Manuel Domingues, que
muito apoiou Saraiva. A vila foi elevada à categoria de cidade pela Lei
Provincial nº 315, de 20 de julho de 1852(Livro de Registro 1850-1854, nº 404,
pág. 56. Sala do Executivo. Casa Anísio Brito). Seu nome Teresina (antes
escrito Theresina) foi dado em homenagem a Imperatriz Teresa Cristina Maria de
Bourbon, a qual teria apoiado, junto ao Imperador Pedro II, a polêmica idéia da
mudança da capital de Oeiras para Teresina. A Imperatriz Teresa Cristina nasceu
em Nápoles, Itália, e Teresina é o diminutivo de Teresa em Italiano, como
Teresinha em Português. Em 16 de agosto de 1852, Saraiva oficializou a mudança
comunicando os demais presidentes de províncias que já estava governando da
nova capital. Em Teresina, foram-lhe oferecida pelos habitantes casas
gratuitamente, por um a dois anos, para
instalação de Palácio, Tesourarias, Correios e outras repartições, além de
colocadas à disposição muitas outras casas para moradia de funcionários.
Isso
facilitou a transferência de todas as repartições públicas, fato que se deu
antes mesmo da aprovação pelo Ministério Imperial, ocorrida em 9 de outubro de
1852.
Com a
teimosia que lhe era peculiar, Saraiva vencia, assim, sua luta para dar a
Província do Piauí uma capital cuja localização favorecesse seu
desenvolvimento, o que fez apesar dos protestos dos oeirenses e da oposição
daqueles para os quais "erguer uma cidade inteira é empresa possível a um
homem de
gênio que dispunha de inúmeros braços,e de uma riqueza
imensa, mas uma perfeita quimera para o governo constitucional de uma província
pobre" (Relatório de Góis).
No Natal
de 1852, o padre Mamede Antonio de Lima, primeiro vigário de Teresina, em missa
solene, declarou transferida a Paróquia de Nossa Senhora do Amparo, da capela
do Poti para a Igreja de Nossa Senhora do Amparo (de Teresina), elevada à
categoria de matriz em 1853.
O prédio
da igreja serviu de pontos de referência para o traçado geométrico da cidade. O
próprio Saraiva tomou as primeiras providências: planejou tudo, com o cuidado
de estabelecer logradouros em linhas paralelas, simetricamente dispostas, todas
partindo do Rio Parnaíba rumo ao Poti.
Aproximadamente
em 1860, Teresina já contava com uma área urbanizada de um quilômetro de
extensão na direção norte-sul, com os seguintes confrontos, (atualmente
incluídos no Centro): de um lado, o largo do quartel do Batalhão (atual Estádio
Municipal Lindolfo Monteiro) e, do outro, o Barrocão (Av. José dos Santos e
Silva). Na direção leste-oeste o desenvolvimento não ganhou a mesma
intensidade. Tomando-se como base o lado do Poti, as ruas findavam a algumas
dezenas de metros acima das duas principais praças: e da Constituição,
atualmente Praça Marechal Deodoro (que antes também denominou-se Praça do
Palácio e Largo do Amparo) e a do Largo do Saraiva (Praça Saraiva). Para o lado
do Parnaíba nem todas as ruas chegavam ao rio. A Rua Grande (Álvaro Mendes),
uma das principais ruas da nova capital, teve papel significativo no desenvolvimento
da cidade, que, em 1899, recebeu do poeta maranhense Coelho Neto o cognome de
Cidade Verde, por ter ruas e avenidas entremeadas de árvore.
A Praça
Uruguiana (Rio Branco) hoje está descaracterizada, mas era bastante
movimentada. Lá, em 1866, estabelecia-se a Botica do Povo, primeira farmácia de
Teresina. Com a luz elétrica (ali instalada em 1914), a praça passou a ser
palco de animada freqüência noturna, inclusive senhoras e crianças passeavam
até as 21 horas, com bandas executando peças musicais. Havia um coreto onde
hoje existe a fonte luminosa e ainda nos anos 50, animados pelas bandas,
rapazes e moças circulavam pela praça, girando em sentido contrário.
Marcou
época, também, a Praça Aquidabã (Pedro II), por muito tempo separada do Theatro
4 de setembro (1894) pela Rua Bela (Senador Teodoro Pacheco) e dividida por uma
transversal que ligava a rua do pequizeiro (Paissandu) à Rua Bela.
Muito
freqüentada, atingiu o auge nos anos 50/60, quando rapazes e moças divertiam-se
ao som da retreta da policia.
Os rapazes
ficavam sentados nos bancos e as moças passeavam pela praça. A parte da praça
que ficava para os lados do Quartel da Policia (Centro de Artesanato) era
escura e ficavam mal faladas as moças que passeassem por lá. A banda tocava até
as 21 Horas, quando praticamente encerrava-se o movimento. Houve um período de
crise de energia elétrica e uma sirene indicava quando as luzes seriam
apagadas, então a praça ficava vazia.
Ainda nos
anos 50/60, em todo o Piauí, comentavam-se as fabulosas festas dos Prostíbulos
da Rua do Pequizeiro (Paissandu), com suas mulheres belíssimas, sempre bem
vestidas. Escolhia-se uma cor para a semana e todas as mulheres vestiam-se
conforme a cor escolhida: a semana do azul, a do branco, etc. Neste período
havia grande movimento nos portos do Rio Parnaíba, embarcações conhecidas por gaiolas traziam mercadorias e supriam o
comércio no Mercado Central (construído em 1860, ainda era
aberto, com estrutura em arcos). Assim freqüentavam as festas desde
marinheiros a representantes da alta sociedade,
na área que incluía da região do baixo meretrício,
conhecida por Palha de Arroz (proximidade da atual Praça Da Costa e Silva) à
Rua Paissandu.
Atualmente
o bairro Centro encontra quase toda atividade administrativa, comercial, hospitalar
de Teresina.