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Apaixonados por vinil

Todas as segundas-feiras, a partir das 19h
Tem Clube do Vinil no bar do Clube dos Diários.
O local não poderia ser mais apropriado. Um casarão com
detalhes do neoclássico, colunas coríntias e telhas francesas. Palco de bailes
nos anos 50 e 60.
Por volta das 19 h, alguns senhores da terceira idade
começam a se aproximar. Me pergunta se é ali o lugar eu dou as boas vindas e
peço que se acomodem e esperem um pouco. Componentes do grupo Roque Moreira,
recém chegado duma turnê em São Paulo , também chegam. Um punk se chega para
fazer seu protesto. Dizia-se anarquista, mas passa a admirar o cenário. Em
pouco tempo todas as mesas estão repletas de gente.
Seu Esdras
o dono do bar não esperava tanto movimento e corre de um lado para outro para
dar conta da clientela.
Seu Batista
um senhor de pouco mais de 60 anos, chega com uma sacola de plástico de uma
loja de roupas, se encosta ali e fica olhando.
Um senhor
que eu conheço bem, chega, junta duas mesas de ferro e coloca sobre ela uma
radiola Philips portátil amarela (funciona com 4 pilhas grandes ou corrente
elétrica), tira a tampa e a divide no meio: são as duas caixas de som.
Lembrei-me das serenatas que meus irmãos faziam no fim dos anos 60. Vários LP’s
são colocados sobre as mesas. É o ex-deputado federal Simplício Mário.
Seu Batista
agora já se sente em casa. Tira da sacola outros LP’s e espalha sobre a mesa.
Um rapaz de uns vinte e cinco anos deixa parecer sobre o seu colo dois discos
dos Beatles.
A radiola
começa a tocar. O som muito pouco para o tamanho do ambiente. A solução
encontrada foi colocar um microfone de uma caixa de som amplificada perto da
radiola. Um rapaz branco, magro, cabeludo com uma camisa de Che Guevara, tira
de dentro de uma revista um compacto de uma banda de rock inglesa.
O punk se
agarra a um LP dos secos e molhados e pede uma foto. Um cidadão de camisa
branca, manga cumprida e gravata
vermelha com detalhes amarelos se aproxima cercado de seguranças e fotógrafos.
Cumprimenta as pessoas. Pega o LP de Roberto Carlos Splesch Pleash, escolhe a
música Coração de um triste de José Messias e coloca para tocar. É o governador
do estado Wellington Dias.
Foi ali, no
Clube dos Diários que foram dados os primeiros passos para fundação do Clube do
Vinil. Uma associação que pretende reunir os aficionados pelo velho bolaçhão e
que irá funcionar todas as segundas feiras a partir das 19 h, para batermos
papo, trocar vinil, emprestar, enfim tudo mais.
Renato Lélis é sócio do clube do Vinil
Clube_do_vinil@yahoo.com.br


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