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Índia escolhida pelos Deuses

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Era a mais bela jovem da tribo dos Acaraós que habitavam as margens do rio Paraim. Por ter sido escolhida dos deuses, Miridam nunca poderia se casar. Somente o velho pajé Piauiguara sabia que, se Miridam conhecesse o amor ela teria um membira (filho na língua Tupi) que não poderia sobreviver. Como sua mãe não resolvia dar-lhe em casamento a nenhum jovem do lugar, ala manteve um amor proibido, às escondidas da todos.
Não sabendo como esconder o filho desse amor e com medo de que o mesmo fosse sacrificado, colocou-o num tacho e soltou a pobre criança nas águas do rio Paraim. A natureza se revoltou, o céu ficou escuro e fez descer um corpo estranho que penetrou na terra e abriu uma enorme fenda, por onde jorrou muita água, e que se transformou num imenso lago. É hoje a chamada lagoa de Parnaguá, localizada no sul do Piauí.
A mãe-d'água recolheu e criou a criança e jogou uma maldição na desditosa mãe. Dizem que ainda hoje o filho da mãe-d'água aparece na superfície da lagoa. Ninguém conseguiu até agora desencantá-lo e ele continua aparecendo, já velho, da barbas brancas à luz do luar, ou douradas do entardecer. Dizem, também, que ele aparece como criança nas primeiras horas da manhã. À tarde se torna adulto e à noite é um velho da barbas brancas. Como não diz uma palavra, conta a lenda que quando falar, será o enviado de Tupã para prever o fim do mundo.
Existe, ainda, uma variante desta lenda com o nome da Barba-Ruiva.
Miridam
Letra e música: Enes Gomes
Miridam, doidinha pra namorar
Eu vou contar pra tua mãe
Que tu já queres casar
Tão bela, tão mulher, menina, flor do mato
Teu jeito encantador, estás querendo amor
Tu és a mais bonita da tribo Acaraó
Tua mãe não vai deixar ninguém te namorar
Encontrou, um certo dia, um amor
Escondido, proibido, que ninguém pode saber
Pra esconder o fruto desse amor
Pegou a criança e jogou nas águas do Paraim
O inocente também tem o seu direito
E até a natureza veio se manifestar
De repente o rio se transforma em lago
Lá no sul do Piauí, lagoa de Parnaguá
O filho de Miridam se é gente eu não sei não
No coração tanta mágua, virou filho de Mãe-d'Água
Dizem que é assombração
Ui, ui, ui eu não sei não
Dizem que ele aparece, de manhã é uma criança
É barba ruiva à tarde e nas noites de luar
Pra quem quiser espiar é velho de barba branca
Ele pode te assombrar, ai,ai,ai vou me mandar
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