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Caso de Amor Indígena
Era a filha do chefe da tribo dos Amanajós. Ela amava Metara, índio da tribo dos Pimenteiras, terríveis inimigos dos Amanajós. Dizendo que iria colher mel perto de onde o rio Itaim deságua no rio Canindé, Zabelê e Metara se encontravam secretamente. Mas um dia, um índio chamado Mandau da tribo dos Amanajós, desconfiou daquelas andanças e resolveu segui-la. É que ele vivia magoado com Zabelê, porque se via preterido por um inimigo e nunca conseguia que seu amor fosse correspondido. Mandau descobriu o local da encontro dos dois.
Certa vez resolveu levar algumas testemunhas para desmascarar Zabelê. Os dois amantes foram surpreendidos, surgindo uma briga generalizada. Depois da tanta luta, morrem Zabelê, Metara e Mandau. O fato deu origem a outra guerra que durou sete sóis e sete luas. Mas Tupã teve pena dos dois amantes e resolveu transformá-los em duas aves que andam sempre juntas e cantam tristemente ao entardecer. Mandau foi castigado e transformado num gato maracajá, eternamente perseguido pelos caçadores por causa do valor da sua pele. Zabelê vive cantando ainda hoje a tristeza da seu amor infeliz.
Zabelê
Letra e música: Enes Gomes
Zabelê era filha do chefe dos Amanajós
Ai meu Deus, o amor é belo mas é arriscado, o que será de nós
Tem coisas do amor que se vê mas não dá pra entender
Veja se tem cabimento, repare e me diga
A moça foi se apaixonar pelo índio Metara da tribo inimiga
Fingindo que ia caçar mel nas margens do rio Itaim
Os dois se encontravam num mel de amor tão intenso e sem fim
Nem desconfiava que um Amanajó com ciúme os seguia
Mandau, pretendendo também desfrutar do amor de Zabelê
Ai meu Deus, descobrindo o encontro dos dois
Foi chamar testemunhas pra ver
Travou-se, por esta razão, uma luta que não foi a primeira
Entre os Amanajós e os Pimenteiras
A guerra só trás a tristeza, destrói a alegria de quem quer viver
Morreu Metara, Mandau e Zabelê
Mandau, Tupã já castigou, virou gato maracajá
Há qualquer momento o caçador vai te pegar
Ninguém pode vencer o amor
Tupã com pena transformou Metara e Zabelê
Em aves que se amam, coisa linda de se ver
Não é pra ninguém entender, mistérios, coisas do amor
Voando e gritando, os dois assim cantando
Ninguém pode vencer o amor
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